Na última segunda-feira (19), o BTG Pactual anunciou uma alteração na recomendação das ações do Banco do Brasil (BBAS3), fazendo uma transição de "compra" para "neutra". Essa decisão surge após um desempenho insatisfatório dos papéis na última sexta-feira (16), que coincidia com a divulgação dos resultados do banco referentes ao primeiro trimestre de 2025 (1T25).
Em um comunicado ao mercado, o BTG destacou que, no momento, não vê um cenário favorável para a aquisição das ações da instituição financeira. Apesar das declarações do Banco do Brasil sugerindo que as dificuldades já foram superadas, os analistas do BTG permanecem céticos em relação às previsões internas do banco público. Eles observam que os resultados financeiros carecem da consistência apresentada em anos anteriores e que a correção de 13% nos preços das ações, após a divulgação do balanço, não correspondeu às expectativas do mercado.
O grupo, liderado por André Esteves, expressou preocupações específicas sobre a carteira de crédito do agronegócio do Banco do Brasil, que compõe cerca de um terço do total de empréstimos. Conforme o relatório, a inadimplência nesse setor continua a subir, superando as previsões do próprio banco. Havia a expectativa de que a instituição implementasse medidas de alívio, mas a aplicação da resolução 4.966 do Banco Central, que modificou as normas de provisionamento, resultou em um impacto negativo devido à alta exposição do banco ao agronegócio.
O Banco do Brasil reportou, no 1T25, um lucro líquido ajustado de R$ 7,374 bilhões, resultando em um declínio de 20,7% em comparação ao mesmo intervalo do ano passado e uma queda de 23% em relação ao quarto trimestre anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) foi de 16,7%, com recuos de 4,98 pontos percentuais ano a ano e uma redução de 4,16 pontos na comparação trimestral.
Ao final do trimestre, o banco mostrou ativos totalizando R$ 2,421 trilhões, refletindo um aumento de 5% em relação ao ano anterior, embora tenha registrado uma leve queda de 0,5% em três meses. O patrimônio líquido foi de R$ 184,189 bilhões, evidenciando uma alta de 2,9% em um ano. A carteira de crédito do Banco do Brasil cresceu 14,4% em um ano, atingindo R$ 1,277 trilhão, impulsionada particularmente pela expansão de 22,4% na carteira voltada para pessoas jurídicas, que alcançou R$ 459,885 bilhões.
A inadimplência da carteira de crédito registrou 3,9%, considerando atrasos superiores a 90 dias, mostrando um aumento de 0,96 ponto percentual em um ano e de 0,54 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.
A margem financeira totalizou R$ 23,881 bilhões, apresentando uma queda de 7,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A receita originária de clientes foi de R$ 20,328 bilhões, marcando um leve crescimento de 0,3% ano a ano. Já a tesouraria do banco obteve um resultado de R$ 7,201 bilhões, com quedas de 39,7% em um ano e de 39,1% em um trimestre. Por fim, a receita obtida com serviços foi de R$ 8,361 bilhões, mostrando um aumento de 0,2% em relação ao ano anterior.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/btg-reduz-recomendacao-de-compra-das-acoes-do-bb-bbas3-112975/