No dia 26 de setembro, as ações da Raízen (RAIZ4) destacaram-se negativamente no Ibovespa, apresentando uma queda significativa de 6,54%, com o preço atingindo R$ 2,00 por volta das 14h45.
A empresa avançou em sua reestruturação estratégica ao anunciar a venda de um novo conjunto de projetos relacionados à geração solar distribuída (GD). A transação contou com a aprovação da Superintendência-Geral do Cade e foi realizada com o fundo Pátria Infraestrutura Energia Core FIP, vinculado ao Pátria Investimentos.
Essa movimentação faz parte da estratégia da joint venture entre Shell e Cosan, que tem se desfeito de ativos que não fazem parte do seu foco principal, visando diminuir a dívida e melhorar sua posição de liquidez. Apesar dessa ação, a resposta do mercado foi negativa, refletindo a desconfiança dos investidores.
Recente venda visa aliviar dívida
A negociação dos ativos solares segue a venda recentemente anunciada da usina de Leme, fechada há duas semanas por R$ 425 milhões com a Ferrari Agroindústria e a Agromen Sementes Agrícolas. Essas transações visam reduzir o portfólio da companhia e concentrar esforços nas atividades mais lucrativas, que abrangem açúcar, etanol, bioenergia e distribuição de combustíveis.
Com uma estrutura de capital elevada e alavancagem significativa, a Raízen está sob os olhos atentos do mercado. O plano de reestruturação, liderado pelo CEO Nelson Gomes, inclui ações voltadas para a redução de investimentos não essenciais e melhorias na operação de combustíveis, buscando aumentar a eficiência operacional.
Entretanto, mesmo com esses passos, o desempenho das ações da empresa não apresenta sinais de recuperação, e os investidores aguardam resultados mais concretos que indiquem uma melhora nos índices da companhia.
Cautela do mercado
Conforme destacado pelo Cade, a transação com o Pátria oferece ao fundo a chance de expandir suas operações no segmento de geração descentralizada, um dos mais promissores no cenário elétrico brasileiro. Contudo, essa movimentação foi interpretada por analistas como uma ação defensiva da Raízen, evidenciando uma pressão por liquidez e uma orientação voltada para o curto prazo.
Embora a venda ajude a reforçar a disciplina financeira da empresa, persiste a preocupação de que desinvestimentos contínuos possam restringir as oportunidades futuras de crescimento, especialmente em áreas como energia renovável, crucial para a transição energética em curso.
Objetivos de foco
A Raízen afirmou que suas metas agora se concentram em manter um portfólio focado em negócios mais resilientes e capazes de gerar fluxo de caixa previsível. As prioridades incluem:
– Produção em larga escala de açúcar e etanol
– Bioenergia proveniente de biomassa
– Distribuição de combustíveis
– Redução substancial de despesas e investimentos fora do foco principal
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/raizen-raiz4-acelera-reestruturacao-com-venda-de-ativos-solares-acoes-desabam-113138/