O Ibovespa iniciou o mês de junho com um novo revés, marcando sua quarta queda consecutiva. Na segunda-feira, 2 de junho, o índice registrou uma diminuição de 0,18%, encerrando o dia em 136.786,65 pontos, uma perda total de 239,97 pontos.
A movimentação do dólar também refletiu essa tensão no mercado, apresentando uma queda de 0,75%, o que levou a moeda a fechar em R$ 5,675. Em contrapartida, as taxas dos contratos de juros futuros (DIs) subiram em toda a curva, sinalizando um clima de cautela entre os investidores.
### Questões Internacionais Afetam o Mercado
No cenário internacional, as disputas comerciais voltaram a ser um tema de preocupação. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na última sexta-feira, 30 de maio, um aumento das tarifas sobre a importação de aço, passando de 25% para 50%. Isso gerou uma resposta rápida por parte da União Europeia, que ameaçou retaliações, elevando ainda mais a inquietação sobre um possível aumento das práticas protecionistas.
As bolsas europeias, então, fecharam em sua maioria em baixa. Nos Estados Unidos, a ansiedade predominava até que uma notícia surgiu, indicando que Trump e o presidente da China, Xi Jinping, poderiam retomar o diálogo durante a semana. Essa informação trouxe um ligeiro alívio aos mercados americanos, com o Dow Jones apresentando uma leve alta, embora os investidores ainda aguardem decisões do Federal Reserve (Fed).
### Desafios Fiscais no Brasil
Internamente, o clima de incerteza persiste devido a questões fiscais. A equipe econômica, liderada pelo ministro Fernando Haddad, trabalha na revisão de uma proposta de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), após inundação de críticas do Congresso e do mercado financeiro. Ao mesmo tempo, a diretora do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) alertou que a elevada taxa Selic já está retardando investimentos em infraestrutura, levantando preocupações sobre o crescimento econômico futuro.
Entretanto, o Boletim Focus do Banco Central trouxe uma notícia positiva: uma nova redução nas previsões de inflação para 2025, indicando que, pelo lado dos preços, a situação está sendo controlada.
### Empresas em Destaque
As ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR4) tentaram dar suporte ao índice. A mineradora viu suas ações subirem 0,88%, impulsionada pela valorização do minério de ferro. A Petrobras também avançou 0,58% após anunciar um corte inédito nos preços da gasolina, o que foi bem recebido pelo mercado, principalmente em um dia de alta no petróleo internacional.
Entre as chamadas 'petro juniors', a PRIO (PRIO3) subiu 2,03%, acompanhando o otimismo do setor de óleo e gás. A Gerdau (GGBR4) destacou-se com um aumento de 5,05% após a proposta de tarifas sobre o aço nos EUA, embora o Bradesco BBI tenha apontado que o impacto positivo para a empresa pode ser limitado, dado que sua atuação está menos exposta às importações.
Por outro lado, CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5) apresentaram leves quedas, de 0,12% e 0,38%, respectivamente. No entanto, a pressão do setor bancário foi crucial para manter o índice no negativo, com Banco do Brasil (BBAS3) caindo 0,60%, enquanto o Bradesco (BBDC4) viu uma leve alta de 0,25%.
No setor de carnes, as ações dos frigoríficos apresentaram resultados mistos, com JBS (JBSS3) subindo 0,22% após um dia volátil. Quanto às companhias aéreas, a Azul (AZUL4), que recentemente pediu recuperação judicial nos EUA, avançou 1,11%, enquanto a Gol (GOLL4), que está em processo de reestruturação, viu seus papéis subirem 1,36%.
### Perspectivas Futuras
A agenda econômica traz como destaque a divulgação da produção industrial referente a abril, programada para terça-feira, 3 de junho. Nos EUA, começa a série de divulgações sobre o mercado de trabalho com o relatório JOLTs, e o Payroll, previsto para sexta-feira, 7 de junho, é aguardado com expectativa, podendo indicar a direção futura da política de juros.
Na Europa, os investidores estarão atentos aos dados de inflação e ao índice de desemprego da zona do euro, além da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira, 6 de junho, que pode render seu primeiro corte de juros desde a alta inflação após a pandemia.
Apesar de algumas ações de destaque, o sentimento entre investidores continua cauteloso, dependendo de sinais mais claros tanto a nível interno quanto internacional, com a incerteza permanecendo como um dos principais temas do mercado no início de junho.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/ibovespa-inicia-junho-com-4-queda-consecutiva-apesar-do-apoio-de-vale-e-petrobras-113302/