De acordo com especialistas do setor, a BrasilAgro (AGRO3) apresenta um modelo de negócios robusto, sendo sua estratégia de investimento predominantemente baseada na distribuição de dividendos.
A XP Investimentos (XPBR31) reafirmou sua classificação neutra para as ações da BrasilAgro, mesmo após uma recente visita técnica à Fazenda Arrojadinho, situada em Jaborandi, na Bahia. O foco do estudo gira em torno da valorização gerada através da compra e desenvolvimento de terras agrícolas, embora o ambiente de curto prazo permaneça desafiador para a monetização.
Os analistas Leonardo Alencar, Pedro Fonseca e Samuel Isaak afirmaram que, embora o modelo da empresa seja sólido, a perspectiva de dividendos, no momento, não é muito atrativa, apesar do histórico positivo da BrasilAgro em realizar vendas pontuais de propriedades com lucro.
A Fazenda Arrojadinho abrange uma área total de 10.495 hectares, dos quais 4.777 são destinados ao cultivo de soja e 1.595 ao de algodão. Uma das principais conclusões da visita da XP foi a análise do projeto de expansão da irrigação, que pode aumentar a área dedicada ao algodão irrigado para 4.200 hectares. O investimento previsto em irrigação varia entre R$ 25 mil e R$ 26 mil por hectare, o que se mostra inferior à média do mercado de R$ 30 mil, uma informação vista como positiva pela corretora.
Com as melhorias na infraestrutura, a BrasilAgro poderá diversificar suas culturas, abrangendo arroz, feijão, trigo e até mesmo o processamento de sementes de milho, seguindo uma estratégia similar à da Boa Safra (SOJA3). Adquirida em 2021 por meio de troca de ações, a Fazenda Arrojadinho teve um valuation inicial de 102 sacas de soja por hectare. Com os investimentos planejados, a expectativa é que esse número chegue a 900 sacas por hectare, considerando o potencial produtivo e a localização estratégica da fazenda.
A XP, no entanto, adota uma postura cautelosa em relação ao curto prazo, especialmente diante das incertezas que permeiam os preços dos grãos. Segundo os analistas, o cenário atual beneficia aquisições ao invés de vendas, o que limita a capacidade da BrasilAgro de gerar lucros extraordinários em um curto espaço de tempo com desinvestimentos.
A produtividade do algodão será um ponto crucial a ser observado; para a safra 2024/25, a BrasilAgro prevê uma diminuição de 420 para 370 arrobas por hectare, em razão das condições climáticas adversas na Bahia, o que pode impactar o desempenho operacional da empresa. Contudo, a XP projeta um aumento na produtividade geral devido à ampliação da irrigação.
No que diz respeito ao setor e suas perspectivas, a Fazenda Arrojadinho representa aproximadamente 25% da produção total de algodão da BrasilAgro. Considerando que a Bahia responde por 20% da produção nacional, uma possível redução na produtividade regional pode impulsionar os preços, beneficiando a companhia. A expectativa para a safra 2025/26 é de uma alta nos custos da soja em um dígito baixo, impulsionada pela valorização dos fertilizantes.
A XP determinou um preço-alvo de R$ 22, indicando um potencial de crescimento de 4,46% em relação ao valor atual. A recomendação neutra da corretora reflete o equilíbrio entre o valor de longo prazo do portfólio de terras da BrasilAgro e as incertezas de curto prazo relacionadas aos preços das commodities e aos dividendos.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/xp-aposta-em-brasilagro-agro3-para-voltar-a-colher-dividendos-gordos-113492/