Santander Brasil: Reflexões sobre a Possibilidade de Sair da B3

Recentemente, a especulação sobre a saída do Santander Brasil (SANB11) da B3 (B3SA3) ganhou força, após comentários do CEO Mário Leão. Em uma conversa com analistas, ele declarou que não ficaria surpreso se a controladora espanhola decidisse deslistar a subsidiária brasileira.

Esse comentário acendeu discussões acerca de uma possível reestruturação acionária por parte do banco. É importante destacar que em outros países, como o México, o Santander já realizou movimentos semelhantes de deslistagem.

Atualmente, a ideia de fechar o capital do Santander Brasil é apoiada por diversas considerações, especialmente em um cenário onde as taxas de juros são elevadas, o mercado acionário ainda se encontra desvalorizado e a instituição demonstra uma forte geração de caixa.

Desde que abriu seu capital no Brasil em 2009, com uma captação de R$ 14,1 bilhões, as ações do banco subiram apenas 35%, enquanto o Itaú (ITUB4) teve um crescimento expressivo de 193% no mesmo período. Isso levanta a pergunta: por que o Santander consideraria uma saída da B3?

De acordo com uma análise da Genial Investimentos, existem três fatores principais que tornam essa possibilidade um cenário crível. Primeiramente, a avaliação (valuation) do Santander Brasil está em níveis inferiores quando comparada à holding na Espanha, sendo negociada a 8,5 vezes o lucro esperado para 2024, contra 9,3 vezes na matriz. Essa discrepância sugere que um deslistamento traria benefícios financeiros imediatos.

Além disso, o percentual de ações disponíveis no mercado (free float) é bastante baixo, com aproximadamente 10% do capital ou R$ 11,2 bilhões. Este montante é facilmente manejável para o conglomerado, considerando sua dimensão e solidez financeira.

Por último, a situação política e estratégica do Brasil pode ser favorável, já que uma valorização das ações está prevista, fazendo desse um momento potencialmente vantajoso para tal movimento.

Vale lembrar que esse não é o primeiro movimento do Santander nesse sentido. Em 2014, o banco tentou trocar ações com um prêmio de 20% para os acionistas minoritários, embora não pretendesse naquela ocasião retirar-se da bolsa. Em 2022, o banco deslistou a Getnet através de uma oferta pública de aquisição (OPA). Mais recentemente, em 2023, o Santander completou o fechamento de capital no México.

Atualmente, o grupo destaca seu foco nas Américas e está diminuindo o número de subsidiárias listadas, mantendo apenas o Brasil e o Chile como exceções além da holding espanhola.

A Genial Investimentos também observa que a instituição tem melhorado sua posição financeira, com o índice CET1 (Common Equity Tier 1) previsto para chegar a 13% até 2025, o que proporciona margem para estratégias significativas. Um exemplo dessa flexibilidade financeira é a venda de parte do Santander Polônia, que rendeu US$ 7,9 bilhões ao grupo.

Porém, o mesmo relatório menciona que, normalmente, a matriz realiza esse tipo de movimento em situações onde a subsidiária enfrenta fragilidades, o que não se aplica ao momento atual do Santander Brasil, que apresenta resultados operacionais sólidos e uma valorização de 26% nas suas ações em 2024. Portanto, o mercado continua atento a essas movimentações.

Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/santander-sanb11-pode-deixar-a-b3-ceo-admite-que-nao-seria-surpresa-113617/