Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, anunciou em uma entrevista nesta segunda-feira (23) que a política de preços da Petrobras (PETR4) oferece uma plataforma crucial para amenizar os efeitos de possíveis aumentos nos preços do petróleo no Brasil. Durante sua conversa com a "Rádio CBN", Durigan reconheceu que a escalada do conflito no Oriente Médio tem potencial para elevar os preços do petróleo. Ele enfatizou que o governo está preparado para adotar medidas que possam atenuar essa situação no mercado interno.
"Vamos monitorar de perto. Acredito que algumas ações de mitigação, como a estratégia de preços da Petrobras, são muito importantes nesse cenário", afirmou Durigan, que é uma figura-chave na equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele tranquilizou a população ao afirmar que não espera um crescimento descontrolado da inflação no país. Contudo, destacou a relevância de observar a movimentação do dólar nos próximos dias, já que a moeda americana tende a valorizar-se em períodos de incerteza, o que pode, por sua vez, pressionar os níveis inflacionários.
"Quando as pessoas procuram segurança no mercado, os ativos de países em desenvolvimento, como o Brasil, e até mesmo ações estão sujeitos a serem vendidos, favorecendo moedas mais fortes como o dólar", comentou Durigan.
A perspectiva de um aumento nos preços do petróleo e do dólar é motivada pela intensificação do conflito no Oriente Médio. O recente ataque dos Estados Unidos às principais instalações nucleares do Irã gerou uma resposta do governo iraniano, que declarou que irá defender sua soberania de forma contundente. Entre as opções consideradas, está o fechamento do Estreito de Ormuz, um canal que é crucial para o transporte de 30% do petróleo mundial, o que levaria a uma diminuição da oferta e um aumento nos preços.
A Petrobras, por sua vez, abandonou a Política de Preço de Paridade de Importação (PPI) no início do atual governo Lula, buscando proporcionar maior estabilidade aos custos dos combustíveis no Brasil. Desde então, a estatal segue uma abordagem conhecida como "política abrasileirada". Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, essa metodologia envolve considerar tanto a cotação internacional do petróleo quanto as referências do mercado local para a definição dos preços dos combustíveis. Além disso, os ajustes de preços não são feitos de forma automática, pois agora ocorrem a cada quinzena na Petrobras.
Embora a alta nos preços do petróleo possa impulsionar as receitas da Petrobras, o que poderia resultar em dividendos extraordinários este ano, o governo está ciente da importância desse fator para o alcance da meta fiscal. Entretanto, Magda Chambriard esclareceu que a distribuição desses dividendos será influenciada pelo preço do petróleo.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/petrobras-petr4-pode-ajudar-a-lidar-com-alta-do-petroleo-diz-n-2-de-haddad-113700/