Depois de uma sequência de quatro dias de perdas, o Ibovespa reverteu sua trajetória nesta terça-feira (25) e registrou um crescimento de 0,45%, encerrando o pregão aos 137.164,61 pontos. Essa valorização de 614,11 pontos foi influenciada por um alívio nas tensões geopolíticas globais e uma análise mais otimista da Ata do Copom. Durante a sessão, o índice chegou a atingir a marca de 138 mil pontos, mas acabou perdendo força no fechamento.
No mercado cambial, o dólar comercial teve um leve aumento de 0,29%, fechando a R$ 5,519, recuperando parcialmente a desvalorização observada na jornada anterior. Ao mesmo tempo, os contratos futuros de juros apresentaram queda ao longo de toda a curva, em linha com a expectativa de que o ciclo de aperto monetário está chegando ao fim.
Em relação à Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na manhã de hoje, confirmou-se o tom firme do Banco Central ao aumentar a taxa básica de juros para 15% ao ano na semana passada. O documento enfatizou a intenção de manter os juros elevados por um longo período, o que sugere que os cortes na taxa podem ser adiados até 2026. Apesar desse cenário, o mercado interpretou a informação como um sinal de que o ciclo de alta nas taxas pode estar próximo do fim. A análise da XP Investimentos destacou que o Copom reconheceu sinais de desaceleração na atividade econômica e diminuição da inflação, embora ainda acima da meta estabelecida.
Outro fator que contribuiu para o otimismo do mercado foi uma aparente trégua no conflito entre Irã e Israel. Embora não haja uma confirmação oficial, declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de um cessar-fogo e uma redução nas tensões na região ajudaram a provocar uma nova diminuição nos preços do petróleo, com o Brent caindo 6%, após uma queda de 7% no dia anterior. Os índices de Nova York reagiram positivamente a esse movimento, com as principais bolsas subindo, assim como os mercados europeus, que também fecharam em alta, em resposta à expectativa de estabilização geopolítica.
Nos EUA, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reafirmou o comprometimento da instituição com o combate à inflação durante audiência na Câmara dos Representantes. Ele evitou fazer promessas de cortes nas taxas em um futuro próximo, afirmando que é prematuro avaliar os impactos das tarifas comerciais e da situação no Oriente Médio. Sua fala levou a um leve aumento nas expectativas de que as taxas de juros serão mantidas pelo Fed em julho, apesar de um declínio na confiança dos consumidores americanos em junho, o que sugere que os efeitos das elevações nas taxas ainda estão sendo sentidos.
No cenário da Bolsa brasileira, o otimismo se refletiu especialmente nas ações de empresas dos setores bancário e varejista. A expectativa de fim do aperto monetário elevou o interesse por ações relacionadas à economia interna. Destaques de alta incluem:
– Banco do Brasil (BBAS3): +1,66%
– Itaú Unibanco (ITUB4): +1,89%
– Santander (SANB11): +1,82%
– Bradesco (BBDC4): +0,30%
– B3 (B3SA3): +1,36%
Entre os varejistas:
– Magazine Luiza (MGLU3): +2,13%
– Lojas Renner (LREN3): +1,47%
– Assaí (ASAI3): +1,67%
Por outro lado, os papéis da Petrobras (PETR4) recuaram 1,97% devido à queda nos preços do petróleo, embora isso também tenha ajudado a reduzir a defasagem dos preços da estatal. Outras empresas do setor, como PRIO (PRIO3) e Brava (BRAV3), também sofreram quedas, de 3,91% e 6,90%, respectivamente. A Vale (VALE3) apresentou uma leve perda de 0,02%, apesar de oscilar durante a sessão, mesmo com o minério de ferro apresentando alta. Excluindo-se do índice, a C&A (CEAB3) teve um aumento de 2,64% e a São Martinho (SMTO3) caiu 2,47%, após um relatório que indicou uma queda de mais de 80% em seus lucros trimestrais. A Copel (CPLE6) apresentou alta de 0,40%, após anunciar sua migração para o Novo Mercado.
As expectativas para a quarta-feira direcionam o olhar do mercado para o segundo dia de depoimento de Powell no Senado dos EUA, além da divulgação de dados do setor imobiliário americano. No cenário internacional, os desdobramentos das tensões no Oriente Médio continuam a ser acompanhados, podendo influenciar o desempenho futuro do mercado financeiro.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/ibovespa-sobe-0-45-e-encerra-sequencia-de-quedas-com-apoio-de-bancos-e-varejo-113745/