Os altos juros oferecidos pela renda fixa governamental têm levado a um aumento significativo na dívida pública do Brasil, que já atinge a marca de R$ 7,7 trilhões, conforme os dados recentemente divulgados pelo Tesouro Nacional. Em comparação com abril, quando a dívida era de R$ 7,61 trilhões, esse número subiu para R$ 7,67 trilhões no mês passado, com o prazo médio de pagamento se expandindo de 4,17 anos para 4,20 anos.
Essa situação reflete o crescimento no uso do Tesouro Selic, um título que oferece liquidez diária e, ao mesmo tempo, proporciona juros compostos mais elevados quando a taxa básica de juros está alta. Com a Selic em 15% ao ano, nível que não era visto desde 2006, os investidores têm buscado cada vez mais esses títulos.
A proporção da dívida pública atrelada ao Tesouro Selic aumentou de 47,3% em abril para 48,25% em maio, demonstrando uma forte demanda pela renda fixa pós-fixada. O Tesouro Nacional estima que esse índice deve se manter entre 48% e 52% até o final de 2025.
Outro aspecto importante é que, após um salto em abril, o colchão da dívida pública, que serve como uma reserva financeira em tempos de dificuldades, caiu em maio. Essa reserva, que era de R$ 904 bilhões em abril, passou para R$ 861 bilhões no mês seguinte, atingindo o maior nível desde agosto. O Tesouro Nacional atribui essa redução ao resgate líquido realizado no período. No momento, essa reserva é suficiente para cobrir 8,77 meses de vencimentos da dívida pública, sendo que nos próximos 12 meses está previsto o vencimento de R$ 1,229 trilhão em títulos federais.
Além disso, a contribuição do Tesouro Prefixado na composição da dívida pública aumentou de 20,23% em abril para 21,1% em maio. Espera-se que essa participação fique entre 19% e 23% até 2025. Em contrapartida, a fatia referente ao Tesouro IPCA+ caiu de 28,46% para 26,64%. Títulos prefixados geralmente oferecem maior previsibilidade, pois as taxas são definidas previamente. Contudo, em períodos de instabilidade econômica, a emissão desses títulos tende a diminuir, já que investidores exigem juros mais altos, o que pode complicar a gestão da dívida.
A dívida pública também inclui elementos corrigidos em dólar e dívida externa, com a estrutura geral oscilando de 4,01% para 4,02%. A dívida externa federal teve um leve crescimento de 0,99%, passando de R$ 306,13 bilhões para R$ 309,17 bilhões entre abril e maio, impulsionada pela alta do dólar.
Apesar da volatilidade no cenário internacional, a presença de investidores estrangeiros na dívida brasileira aumentou, subindo de 9,7% em abril para 9,9% em maio. Esse aumento é notável, considerando que em novembro do ano passado esse percentual estava em 11,2%, o que marca o maior patamar desde abril de 2018.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/taxa-selic-a-15-ao-ano-turbina-divida-publica-a-r-7-7-trilhoes-diz-tesouro-nacional-113830/