Análise Crítica do Crédito Rural: Os Desafios do Banco do Brasil (BBAS3) à Luz dos Estudo da Legacy Capital

Um estudo realizado pela gestora financeira Legacy Capital revela preocupações significativas sobre a situação do Banco do Brasil (BBAS3) no setor de crédito rural. De acordo com o relatório, os resultados abaixo das expectativas da instituição não são meramente um reflexo da situação econômica atual, mas também refletem falhas estruturais na forma como o banco concede crédito ao agronegócio.

Nos últimos meses, a Legacy tem monitorado de perto o mercado de crédito agrícola e notou que o Banco do Brasil vem perdendo espaço neste setor. Essa diminuição é atribuída à diminuição na oferta de crédito subsidiado e ao aumento da concorrência por parte de instituições financeiras privadas, que estão se posicionando de maneira mais rápida e eficaz.

Os produtores rurais, por sua vez, estão enfrentando um cenário desafiador, caracterizado por um aumento no nível de endividamento, deterioração no perfil dos tomadores e um número crescente de pedidos de recuperação judicial. Neste contexto, o modelo de garantia utilizado pelo Banco do Brasil, que se baseia predominantemente no penhor da safra, se mostrou menos eficiente quando comparado ao modelo de alienação fiduciária de terras adotado por concorrentes, que proporciona uma recuperação mais ágil em situações de inadimplência.

Os dados financeiros mais recentes não são encorajadores. A inadimplência de curto prazo, por exemplo, aumentou significativamente, dobrando entre março e maio, o que pode indicar uma deterioração maior nos resultados dos balanços subsequentes. O lucro anunciado de R$ 1,7 bilhão para abril sugere que o resultado trimestral ficará abaixo de R$ 5 bilhões, uma cifra bem abaixo das expectativas do mercado. Adicionalmente, o aumento da carteira de crédito agrícola prorrogada, que saltou de 4% para 14% do total, é preocupante — representando aproximadamente R$ 50 bilhões, ou 25% do patrimônio líquido do banco.

Embora esses créditos estejam classificados no estágio 1 de inadimplência, a Legacy alerta que há uma probabilidade considerável de avanço para o estágio 3, caso os produtores não consigam cumprir com os novos pagamentos ajustados. A análise da Legacy também critica o discurso da administração do Banco do Brasil, que tem atribuído a queda de resultados a fatores externos, como a crise no setor agropecuário e regulamentações do Banco Central. Para a gestora, a deterioração do desempenho do banco é, em grande medida, um reflexo de problemas internos, desde a estratégia de concessão de crédito até a maneira de avaliar e provisionar riscos.

Adicionalmente, a recente retirada do guidance de lucro para 2025 levantou preocupações sobre a capacidade do banco de avaliar corretamente a fase crítica que enfrenta. A manutenção das previsões de crescimento para a carteira de crédito, mesmo em um ambiente de alta incerteza, também é vista com ceticismo. Antes, o investimento no Banco do Brasil era fundamentado em crescimento contínuo, retornos de dividendos robustos (na faixa de 18% a 20%) e esperanças de uma valorização das ações devido a uma melhora nas condições macroeconômicas. Contudo, a Legacy reporta que esses fundamentos estão ameaçados, já que o aumento das provisões deve pressionar a lucratividade do banco e a distribuição de dividendos pode encolher pela metade ou até mais.

Com base em todos esses fatores, a Legacy Capital reafirma sua posição vendida nas ações do Banco do Brasil, sustentando que o mercado ainda não assimilou plenamente os riscos associados à sua carteira de crédito rural e que os próximos trimestres provavelmente apresentarão mais desafios.

Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/bb-bbas3-na-mira-os-riscos-ocultos-por-tras-do-credito-rural-segundo-a-legacy-113985/