O Itaú BBA realizou ajustes nos preços-alvos de duas empresas que atuam no setor de mineração e aço, refletindo preocupações com o mercado nacional e incertezas globais que afetam diretamente o custo do minério de ferro.
Os analistas do banco reduziram o preço-alvo para as ações da CSN (CSNA3), passando de R$ 12 para R$ 9, o que implica uma expectativa de valorização de 7,4% em relação ao fechamento da última terça-feira (4). A recomendação permanece neutra. Em contrapartida, a CSN Mineração (CMIN3) teve seu preço-alvo ajustado de R$ 5,50 para R$ 4,80, sugerindo uma queda de 3% sobre o último fechamento, com a recomendação de venda sendo mantida.
De acordo com o relatório, as condições atuais para as duas empresas são desafiadoras, principalmente devido ao ambiente incerto do mercado de aço e ao preço do minério de ferro, que tem sido afetado por fatores globais. Daniel Sasson, analista do BBA, mencionou que o contexto continua difícil para os preços, o que influencia a projeção de performance da CSN e da CSN Mineração.
Espera-se que, até 2025, o preço do minério de ferro se mantenha em torno de US$ 95 a tonelada, em um cenário onde as importações de aço da China continuam a pressionar o mercado brasileiro. O Itaú BBA também projetou que a CSN poderá ter uma recuperação gradual, especialmente nas áreas de cimento, logística e energia, embora a elevada alavancagem da companhia possa impactar seu fluxo de caixa.
Os analistas notaram que a relação entre o valor da empresa e o Ebitda (EV/Ebitda) da CSN indica uma proposta de risco-retorno pouco atrativa, com um índice estimado em aproximadamente 5,0 vezes, o que é superior à média dos concorrentes. A CSN Mineração também foi considerada pouco competitiva devido aos altos investimentos necessários para expansão.
Adicionalmente, em 4 de outubro, novos altos impostos de 50% sobre importações de aço e alumínio nos Estados Unidos começaram a valer. Com o Brasil sendo um dos principais fornecedores desses materiais para os EUA, estima-se que as exportações brasileiras atingiram US$ 4,677 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) em 2024.
O Bradesco BBI observa que esses novos impostos podem favorecer as empresas produtoras nos Estados Unidos, como a Nucor e a Steel Dynamics, que já estão vendo aumentos nos seus preços de ações. Contudo, o impacto das tarifas pode variar entre as empresas brasileiras, sendo que a CSN, junto com a VALE3 e a USIM5, poderá sentir os efeitos dessa política. Por outro lado, a Gerdau (GGBR4) apresenta um panorama mais positivo e é considerada pelos analistas do BTG Pactual como a principal beneficiária da nova taxação, dada sua forte presença na América do Norte, que representa 60% de sua geração de EBITDA.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/itau-bba-corta-precos-alvo-de-duas-empresas-veja-quais-113352/