Aumento de até 6,06% nos Planos de Saúde: Entenda as Implicações

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) anunciou que os planos de saúde individuais e familiares terão um reajuste máximo de 6,06% neste ano, o que representa o menor percentual desde 2021. Essa decisão impactará cerca de 8,6 milhões de brasileiros que utilizam esses tipos de planos.

O grupo Hapvida (HAPV3), no entanto, não registrou uma reação positiva no mercado, com suas ações apresentando uma queda superior a 3% após a divulgação do índice de aumento.

### Como é calculado o reajuste?

O percentual de ajuste é estabelecido pela ANS, considerando a variação das despesas assistenciais e a inflação oficial do país, desconsiderando o subitem 'Plano de Saúde'. As despesas assistenciais foram reportadas como tendo um aumento de 9,35% devido ao crescimento no custo dos serviços e na intensidade de uso desses planos. Essa porcentagem do reajuste é superior ao IPCA, que teve uma alta de 4,83% em 2024.

Este novo índice de 6,06% é, de fato, o menor desde 2021, período em que o reajuste ficou em -8,19% por conta dos impactos da pandemia de covid-19. Em comparação histórica, os índices apenas estiveram abaixo de 6,06% anteriormente em 2008.

### Objetivos da ANS

A diretora-presidente interina da ANS, Carla Soares, enfatizou que o principal objetivo da agência é manter o equilíbrio no sistema, protegendo o consumidor contra aumentos excessivos e garantindo a viabilidade financeira do setor.

Segundo Alexandre Pletes, líder em renda variável da Faz Capital, o impacto nas ações da Hapvida provavelmente se deve a uma expectativa de reajuste mais expressiva entre os investidores, em conjunto com a pressão dos juros em alta.

O Itaú BBA, por outro lado, considerou que o aumento se alinha ao que era esperado pelo mercado, uma vez que os critérios utilizados para determinar o índice já eram conhecidos anteriormente. A instituição também notou que o reajuste de 2025 sinaliza uma continuidade na desaceleração observada nos reajustes passados e está relacionada à recuperação das rentabilidades das operadoras.

### Reações na Indústria

A FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar) expressou que o índice definido pela ANS reflete os esforços contínuos das operadoras em gerenciar custos, negociar contratos e combater fraudes. O diretor executivo da federação, Bruno Sobral, destacou a importância de revisar a metodologia de cálculo para que os índices reflitam melhor as necessidades financeiras reais, especialmente em contratos mais antigos que apresentam defasagens.

Sublinhou ainda a necessidade de equilibrar os reajustes com o crescente aumento dos custos assistenciais, devido à introdução de novas tecnologias e à judicialização de demandas no setor.

### Aplicação do Reajuste

O aumento de 6,06% estará em vigor de maio de 2025 até abril de 2026. O ajuste pode ser aplicado conforme o mês de aniversário de cada contrato, ou seja, na data em que o plano foi contratado. Para contratos com aniversário em maio e junho, o aumento pode começar a ser cobrado a partir de julho ou, no mais tardar, em agosto, com retroatividade ao mês de aniversário.

É importante notar que os planos de saúde individuais e familiares representam apenas 16,4% dos 52 milhões de planos operando no Brasil, com a maior parte pertencente a contratos coletivos, que têm regras de reajuste próprias, frequentemente estipuladas em contrato.

Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/plano-de-saude-individual-vai-subir-ate-6-06-veja-reacao-do-mercado-113708/