O Banco do Brasil (BBAS3) se depara com um cenário desafiador, onde os investidores estão cada vez mais céticos em relação ao desempenho futuro da estatal. Um relatório recente da XP Investimentos divulgou uma revisão negativa nas expectativas para o segundo trimestre de 2025, com projeções de lucros em queda e dividendos mais modestos nos próximos anos.
Atualmente, a instituição observa uma pressão significativa sobre suas ações, acumulando R$ 5,18 bilhões em operações que apostam na desvalorização dos papéis. Segundo os analistas Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães, a previsão de lucro líquido para o segundo trimestre de 2025 foi ajustada para R$ 5,4 bilhões, o que representa uma diminuição de 15,6% em relação à estimativa anterior de R$ 6,4 bilhões. Este valor também indica uma retração de 43,5% comparado ao mesmo período do ano anterior. Um dos principais motivos para essa revisão é a deterioração da qualidade do crédito, especialmente no setor do agronegócio, com a inadimplência acima de 90 dias prevista em 4,5% — um aumento em relação aos 4% estimados anteriormente.
As expectativas para o crescimento da carteira de crédito também foram reduzidas, caindo de 9% para 6,6% ao ano. Assim, a previsão de lucro total para 2025 foi revista para R$ 26 bilhões, refletindo uma queda de 8% em comparação com o ano anterior.
No que diz respeito aos dividendos, a XP ajustou a projeção de payout para 36% em 2025, com estimativas próximas a 35% para 2026, 2027 e 2028, uma queda em relação aos 40% do ano passado. Apesar dessas revisões desfavoráveis, o preço-alvo para as ações do Banco do Brasil ao final de 2026 permanece fixado em R$ 32,00, o que sugeriria um potencial de valorização de 45% sobre a cotação atual de aproximadamente R$ 22,00 por ação. No entanto, a recomendação da XP continua sendo neutra.
Outro aspecto preocupante é o aumento acelerado das posições vendidas em relação ao Banco do Brasil, que lidera entre os grandes bancos nacionais com 8,30% de suas ações em posições vendidas. Para efeito de comparação, o Bradesco apresenta 5,30%, o Itaú 4,90%, o Santander 4,30% e o BTG Pactual 4,10%. Este índice de posições vendidas reflete uma crescente desconfiança do mercado em relação ao desempenho do banco, especialmente por conta da falta de um novo guidance oficial e das incertezas no crédito rural.
Apesar do ambiente desfavorável, os analistas da XP sugerem que há possibilidade de recuperação para o Banco do Brasil no médio prazo, caso haja uma melhora nas condições do crédito agrícola, um alívio nas pressões fiscais ou a reintegração da divulgação de metas pelo banco. Fatores políticos também podem impactar na reprecificação das ações.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/banco-do-brasil-bbas3-investidores-apostam-mais-de-r-5-bi-na-queda-da-acao-114043/