O Bank of America (BofA) promoveu uma revisão em sua recomendação para as ações brasileiras, alterando a classificação de "compra" (overweight) para "neutra" (marketweight). Esta é a primeira vez desde 2022 que a instituição modifica essa perspectiva, refletindo preocupações com a situação fiscal e a expectativa de lentidão nas reformas necessárias.
Na análise, a equipe liderada por David Beker expressa uma visão de cautela em relação ao Brasil, destacando que fatores internos e a performance de commodities como o petróleo e o minério de ferro influenciam essa nova posição. As projeções do BofA para a taxa Selic também indicam uma discrepância em relação ao que o mercado está avaliando; enquanto o mercado prevê a Selic em 12,9% ao ano até o final de 2026, o banco acredita que pode ficar em 11,25%. Atualmente, a Selic está fixada em 14,75% ao ano.
Mesmo considerando um desempenho positivo da América Latina, que apresentou um retorno total de 25% ao ano até agora, o BofA identificou um enfraquecimento nos índices técnicos, algo que não era visto desde agosto de 2024. De acordo com informações do "Valor Econômico", 67% dos papéis do Ibovespa estão acima da média móvel de 200 dias, sinalizando uma possível correção.
Os analistas também observam que o indicador "risk-love", que mede o apetite dos investidores ao risco, mostra-se próximo a patamares elevados, sinalizando uma possível recuo no mercado. O foco dos investidores, que antes estava nas tensões comerciais, agora se volta para as questões fiscais e a atividade econômica do Brasil e do México.
Apesar de uma valorização considerável das ações brasileiras ao longo do ano, a preferência geral do BofA continua sendo por segmentos locais em detrimento de commodities pesadas. No portfólio da instituição, ações como Localiza (RENT3) e Assaí (ASAI3) foram removidas, enquanto a recomendação para Petrobras (PETR4) foi rebaixada para neutra. Por outro lado, a Vale (VALE3) mantém uma participação inferior à média do mercado, e a Hypera (HYPE3) entrou na lista devido à sua atratividade e consistente geração de caixa.
Na visão de Daniel Nogueira, especialista em Vendas de Renda Variável da InvestSmart XP, o momento atual não é de euforia, mas sim exige uma alocação criteriosa que esteja alinhada ao perfil de cada investidor. Ele destaca que manter alguma exposição ao mercado pode ser vantajoso, já que frequentemente, uma pequena quantidade de dias positivos pode contribuir para grande parte do retorno de longo prazo, sugerindo que o custo de se ausentar do mercado pode ser maior do que enfrentar períodos de volatilidade.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/bofa-rebaixa-recomendacao-do-brasil-pela-1-vez-desde-2022-113510/