A disputa pelo controle da Mobly (MBLY3) ganhou novos contornos na última quarta-feira (30). A Justiça de São Paulo determinou a suspensão de todas as deliberações provenientes da assembleia de acionistas, que incluíam a rejeição de uma proposta que poderia facilitar uma oferta pública de aquisição (OPA) pelos fundadores da Tok&Stok.
A medida foi solicitada pela própria Mobly e tem o objetivo de interromper temporariamente os planos da família Dubrule, que busca retomar a liderança da varejista de móveis e decoração. Durante a assembleia, os acionistas não aceitaram a exclusão da cláusula conhecida como “poison pill” do estatuto da empresa, um mecanismo que exige que qualquer acionista que atinja um determinado percentual da companhia lance uma OPA.
Esta cláusula era considerada essencial para que a proposta dos Dubrule, que envolve a aquisição de 100% da Mobly ao preço de R$ 0,68 por ação, pudesse ser viabilizada. No entanto, antes que a ata da reunião fosse divulgada, a Justiça decidiu suspender os efeitos da assembleia, citando a necessidade de mais tempo para avaliar os documentos apresentados e os potenciais riscos de manipulação do controle acionário.
A tensão central da disputa gira em torno da OPA proposta pelos fundadores Régis e Ghislaine Dubrule, que havia sido previamente incorporada pela Mobly em 2024. A oferta apresentada inclui um deságio acentuado e promete injetar até R$ 100 milhões na empresa, além de converter dívidas antigas em participação acionária.
A administração atual da Mobly criticou a família Dubrule, alegando que eles estariam em conluio com a home24, a acionista majoritária com 44,4% da empresa, numa tentativa de eliminar a cláusula de proteção. A Mobly sustenta que houve troca de comunicações para facilitar essa manobra, levantando preocupações sobre um tratamento desigual entre os investidores. Por sua vez, a home24 refutou as acusações de irregularidades. Em resposta, os Dubrule enviaram uma carta a todos os acionistas, assegurando que compensariam em dobro qualquer privilégio que pudesse ser garantido a um grupo específico.
A administração da Mobly caracterizou o movimento com um exagero e reiterou que são necessárias investigações judiciais. A empresa também expressou preocupações sobre a possível diluição dos acionistas minoritários caso a oferta avançasse com as condições apresentadas. Em acréscimo, a Mobly revelou que heredou despesas não autorizadas da gestão anterior da Tok&Stok, totalizando R$ 5,2 milhões em planos de saúde pagos a ex-conselheiros vinculados à família fundadora.
Além disso, a administração atual alertou que a aceitação da OPA poderia comprometer a recuperação operacional e financeira da Mobly, que ainda luta para se recuperar após uma série de prejuízos desde sua abertura de capital. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está analisando a legalidade da OPA enquanto o judiciário congelou os efeitos das decisões tomadas na assembleia. O juiz André Salomon Tudisco deve se pronunciar nos próximos dias sobre a legitimidade da reunião e os desdobramentos do processo societário.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/cvm-e-justica-travam-tabuleiro-da-mobly-em-meio-a-guerra-societaria-com-os-dubrule-112585/