O governo brasileiro está em busca de estratégias para rever a meta fiscal deste ano, e uma das alternativas em discussão é a utilização das reservas de lucros das estatais para incrementar a arrecadação necessária. A Petrobras (PETR4), onde a União detém a maior parte das ações, é uma das principais empresas avaliadas nesse contexto.
Nos bastidores, a proposta que ganha força é a distribuição de dividendos extraordinários, além do cronograma habitual da companhia. Essa possibilidade gerou movimentação no mercado, com instituições financeiras avaliando o impacto que um pagamento adicional poderia ter nas ações da empresa.
De acordo com análises realizadas pela Genial Investimentos, um pagamento fora do calendário tradicional pode trazer benefícios a curto prazo para os investidores, mas também pode restringir a capacidade da empresa de investir em projetos estratégicos. Os especialistas ressaltaram que a falta de clareza sobre os critérios de distribuição pode aumentar a percepção de risco entre os acionistas.
Por outro lado, os analistas do Bradesco BBI já haviam expressado a expectativa de que a empresa não deveria passar por um pagamento de dividendos extraordinários em 2025, visto que a queda nos preços do petróleo afetaria essa possibilidade. Eles revisaram suas estimativas para os resultados da Petrobras e preveem um corte significativo nos preços dos combustíveis nos primeiros meses de 2025, projetando um total de US$ 9 bilhões em proventos para o ano e um dividend yield de 12,3%.
Entretanto, a decisão sobre a distribuição de dividendos extraordinários enfrenta desafios, pois implica em considerações complexas. Uma fonte citou que essa decisão não pode ser simplesmente decidida com uma canetada e requer uma análise cuidadosa de diversos fatores corporativos.
A mera possibilidade de um pagamento adicional já resultou em uma reação positiva entre os investidores, levando as ações da Petrobras a apresentarem alta nas negociações. No início da tarde da última sexta-feira (6), os papéis foram vistos com um crescimento de 1,3%, alcançando um valor próximo a R$ 30.
Além disso, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), do qual o governo é o acionista exclusivo, também é uma fonte potencial de recursos adicionais. Contudo, qualquer decisão nesse sentido dependeria de uma análise técnica aprofundada e das legislações que regulam a distribuição de lucros dessa instituição. O BNDES, antes de 2017, repassava 95% de seu lucro à União, mas após a reforma estatutária, esse percentual passou a ser limitado a até 60%, com um mínimo de 25% destinado a dividendos.
Essa complexidade indica que uma simple decisão de utilizar reservas de lucro para dividendos é, na verdade, um assunto delicado que precisa respeitar os preceitos da Lei das Estatais e considerar diversas variáveis corporativas.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/petrobras-petr4-governo-avalia-distribuicao-de-dividendos-extraordinarios-113396/