Na quarta-feira (28), o Ibovespa encerrou com uma desvalorização de 0,43%, fechando a 138.946,68 pontos, após três pregões consecutivos de alta. A redução de 594,55 pontos pode ser atribuída a uma série de fatores tanto internos quanto externos, principalmente a queda nas ações da Vale. Além disso, havia uma expectativa de cautela no mercado global, especialmente em relação aos resultados da Nvidia, e os efeitos limitados da reestruturação da Azul. O dólar também teve alta de 0,89%, encerrando a R$ 5,695, enquanto os juros futuros (DIs) aumentaram em toda a curva, após um período de relativa estabilidade.
No cenário internacional, a cautela prevaleceu com a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fomc), que pouco trouxe de novidade, mas reafirmou a necessidade de vigilância em relação à inflação. A economista Andressa Durão, da ASA Investments, observou que a ata ressaltou que o Fed precisa de mais dados antes de considerar cortes nas taxas de juros, especialmente após o endurecimento das políticas comerciais.
No Brasil, o debate em torno do IOF prossegue, com rumores de que o governo pode aumentar o bloqueio de verbas em até R$ 33 bilhões para compensar a redução parcial na alta do imposto. Durante esse período, o Caged apresentou resultados melhores do que o esperado, com a criação de 257.528 novas vagas formais em abril, refletindo a resiliência do mercado de trabalho. A dívida pública federal também subiu 1,44% no mês, totalizando R$ 7,617 trilhões, segundo o Tesouro Nacional.
A Azul se destacou negativamente ao anunciar seu pedido de recuperação judicial no EUA sob o Chapter 11, resultando em uma queda inicial superior a 10% nas suas ações, embora tenha recuperado parte da perda e encerrado o dia com uma desvalorização de 3,74%, cotada a R$ 1,03. O CEO da companhia, John Rodgerson, teve como objetivo a redução da alavancagem e o corte de 35% na frota, buscando limpar as dívidas decorrentes da pandemia. Apesar disso, o mercado se mostrou cético, mas não entrou em pânico.
Já a Gol viu uma leve alta de 0,79%, fechando a R$ 1,28, superando momentaneamente a Azul em valor de mercado. No que tange ao Ibovespa, a Vale caiu 0,80%, acumulando sua terceira queda consecutiva, enquanto a Petrobras teve uma leve baixa de 0,32%, mesmo diante da alta do petróleo. O setor bancário também pressionou o índice para baixo, com o Banco do Brasil apresentando uma queda de 1,99%, sendo o papel mais negociado do dia. O Bradesco teve uma leve alta de 0,69%, mas isso não foi o suficiente para reverter a tendência negativa do setor. Já a CSN viu suas ações caírem 3,67%, suscitando preocupações sobre a alocação de capital e sua estrutura de balanço.
No lado positivo, a JBS registrou ganhos de 2,62% no setor de proteínas, impulsionada por cenários favoráveis de exportação. O Assaí subiu 0,26%, Magazine Luiza obteve 2,25% de alta, e a Brava Energia viu suas ações crescerem 4,28%, após proposta para revogar a “poison pill” do seu estatuto social, o que pode atrair novos investidores.
Com a aproximação da quinta-feira (30), os mercados se preparam para divulgações importantes, como a taxa de desemprego de abril, que deve ser de 6,9%. Nos EUA, são esperados os dados revisados do PIB do primeiro trimestre, além do PCE, que é um dos principais indicadores de inflação, na sexta-feira. Este cenário sugere que o mercado continuará em um tom cauteloso, em meio a um ambiente de volatilidade e incertezas fiscais.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/ibovespa-recua-0-43-com-vale-vale3-e-bancos-em-queda-azul-cai-3-74-113208/