O índice Ibovespa fechou com uma ligeira queda de 0,41% nesta segunda-feira (23), totalizando 136.550 pontos e acumulando o quarto dia consecutivo em números negativos. Durante a sessão, o índice chegou a tocar a mínima de 135.800 pontos, marcando um dia de volatilidade e retração de 565 pontos. O principal vetor dessa pressão foi a significativa desvalorização das ações da Petrobras (PETR4), que caiu 2,50%, o que reflete a sensibilidade da empresa aos preços internacionais do petróleo. Além disso, o desempenho negativo dos grandes bancos também influenciou a performance do índice, embora as ações da Vale (VALE3) tenham conseguido mitigar algumas das perdas.
A situação do petróleo exibiu um contraste notável; enquanto a queda de mais de 7% nos preços do petróleo beneficiou os índices de Nova York, no Brasil o impacto foi inverso, resultando em desvalorização nas ações da Petrobras. Essa situação se deu após tensões no Oriente Médio, onde ataques do Irã a bases americanas no Catar não provocaram um conflito regional de maior escala, conforme o mercado previa. Outras empresas do setor, como a PRIO (PRIO3), também sentiram o impacto, recuando 0,71%, mesmo após anunciar planos de dobrar sua produção até 2026.
O ambiente de aversão ao risco foi acentuado por instabilidades na região, com evacuações nos campos de petróleo do Iraque e alertas na Bahrein. Na esfera internacional, o Federal Reserve dos EUA mantém o mercado em estado de expectativa, com o presidente do Fed de Chicago criando um clima de otimismo ao afirmar que os impactos das tarifas sobre a economia americana foram menores do que esperado, o que poderá facilitar cortes de juros em um futuro próximo. No entanto, a inflação permanece em destaque. Na Europa, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, expressou preocupações sobre a possível desaceleração econômica na zona do euro caso as tensões comerciais e geopolíticas se intensifiquem, uma preocupação que também ressoou no cenário brasileiro.
Para acrescentar, os econômicos locais, como o economista Caio Megale da XP, salientaram que o petróleo é um fator chave no controle da inflação global. A visão do Ministério da Fazenda é positiva em relação a medidas como a política de preços da Petrobras. O Boletim Focus, por outro lado, trouxe algum otimismo, com novas previsões de queda na inflação, além de um leve recuo de 0,40% no dólar comercial, que fechou em R$ 5,503.
Os bancos, por sua vez, mantiveram um desempenho negativo, com Bradesco (BBDC4) caindo 0,78%, Itaú Unibanco (ITUB4) recuando 0,22%, Santander (SANB11) caindo 1,19%, e Banco do Brasil (BBAS3) perdendo 1,22%. Essa última ação foi influenciada por revisões de preço-alvo por analistas preocupados com a deterioração da carteira rural. Em contrapartida, a B3 (B3SA3) caiu 1,62%, mesmo após um grande banco estrangeiro melhorar sua recomendação para o Brasil. Contudo, a Vale destacou-se com uma alta de 1,26% devido à valorização do minério de ferro. No setor de varejo, Magazine Luiza (MGLU3) subiu 0,68%, e Petz (PETZ3) avançou 0,75%, apesar da fusão com a Cobasi que está em análise pelo Cade. No dia, também brilharam as ações de Marfrig (MRFG3) e BRF (BRFS3), que subiram 4,76% e 4,29%, respetivamente, após a confirmação da retomada da assembleia sobre a fusão entre as duas. Por fim, fora do índice, Méliuz (CASH3) caiu 1,14% após aumentar significativamente sua posição em Bitcoin.
O olhar atento do mercado nesta terça-feira será voltado para a Ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a Selic para 15% ao ano, com a expectativa de esclarecer os futuros direcionamentos da política monetária em um contexto internacional cada vez mais incerto, especialmente considerando os últimos desdobramentos no Oriente Médio.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/ibovespa-recua-pelo-4-pregao-consecutivo-puxado-por-petrobras-petr4-113714/