Impacto da Selic em 15% nas Empresas da B3: As Mais Endividadas Reveladas

A alta dos juros está criando um cenário desafiador para as empresas listadas na B3, especialmente em momentos em que a Selic atinge 15% ao ano. Esse aumento eleva significativamente o custo da dívida, pressionando os resultados financeiros das corporações e dificultando o refinanciamento das obrigações existentes.

Recentemente, a ação da Cosan (CSAN3) sofreu uma queda expressiva de 9% após a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar a taxa de juros. A preocupação no mercado gira em torno das dificuldades que essa nova alta pode trazer para a reestruturação da holding, que está dedicando esforços para reduzir seu endividamento.

De acordo com um levantamento realizado pela Elos Ayta Consultoria, a situação do endividamento no mercado é alarmante. O estudo revelou que a Cosan figura entre as dez empresas mais endividadas da B3, com uma dívida total de R$ 67 bilhões. Além disso, sua subsidiária Raízen (RAIZ4) possui um débito ainda maior de R$ 68,4 bilhões. Somadas, as dívidas das duas empresas superam R$ 135 bilhões, valor que só é ultrapassado pela Petrobras (PETR4).

Listamos abaixo as dez companhias com as maiores dívidas brutas na B3:

1. Petrobras (PETR4): R$ 370,3 bilhões;
2. Vale (VALE3): R$ 92,9 bilhões;
3. Suzano (SUZB3): R$ 91,0 bilhões;
4. Eletrobras (ELET3): R$ 71,0 bilhões;
5. Raízen (RAIZ4): R$ 68,4 bilhões;
6. Cosan (CSAN3): R$ 67,0 bilhões;
7. Marfrig (MRFG3): R$ 63,5 bilhões;
8. Simpar (SIMH3): R$ 59,2 bilhões;
9. Equatorial (EQTL3): R$ 54,4 bilhões;
10. CSN (CSNA3): R$ 53,2 bilhões.

Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria, ressaltou que esse alto grau de endividamento, em um cenário de juros elevados, gera preocupações sobre o impacto financeiro nas empresas. Contudo, ele comentou que nem todas as dívidas estão atreladas à Selic, uma vez que diversas corporações também obtêm financiamento no exterior, onde os juros tendem a ser mais baixos.

Rivero também destacou que a recente valorização do real frente ao dólar pode oferecer alívio para as companhias com dívidas em moeda americana, já que uma queda do dólar resulta na diminuição do valor da dívida em reais, criando benefícios financeiros que podem minimizar os efeitos negativos dos altos juros internos.

A reunião mais recente do Copom resultou na elevação da Selic para 15% ao ano, um patamar que não era visto há quase duas décadas. O comitê sinalizou que os juros devem permanecer em um nível bastante restritivo por um longo período e indicou a possibilidade de uma pausa no ciclo de alta para avaliar os resultados dessa medida. O consenso do mercado sugere que a Selic deve permanecer em 15% ao ano, pelo menos até o início de 2026.

Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/com-selic-em-15-veja-as-empresas-mais-endividadas-da-b3-113732/