Impactos das Novas Tarifas de Trump nas Ações da B3: O Que Esperar?

Recentemente, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou a implementação de uma tarifa de 50% sobre produtos provenientes do Brasil, que se destaca como o país mais afetado por essa medida. As tarifas entrarão em vigor a partir de 1º de agosto, gerando preocupações significativas entre os investidores e as empresas brasileiras.

A nova tarifa certamente terá um efeito adverso sobre diversas ações listadas na B3, conforme especialistas indicam. Entre os setores mais impactados, a Embraer (EMBR3) se destaca, uma vez que 60% de sua receita é oriunda do mercado norte-americano e cerca de 26% das suas exportações de aeronaves vão para os EUA. Júlio Vieira, analista da TC Investimentos, alerta que essa imposição pode elevar os custos de produção em até 50%, reduzindo a competitividade em relação a fabricantes como a Airbus, que produz localmente nos Estados Unidos. As previsões incluem uma redução nas encomendas, diminuição das margens de lucro e pressão nos fluxos de caixa da empresa.

As empresas exportadoras também devem sentir os efeitos dessa imposição, especialmente aquelas que dependem fortemente do mercado norte-americano. No Brasil, empresas do setor de carnes como Marfrig (MRFG3) e JBS (JBBS3) enfrentam riscos significativos, com a última dependendo de mais de 50% de sua receita de exportações para os EUA. Além disso, siderúrgicas brasileiras cuja estrutura operacional é voltada para exportação também devem encarar desafios adicionais.

A Tupy (TUPY3), por exemplo, obteve 23% de sua receita de exportações destinadas aos Estados Unidos, e 20% dessa quantia é proveniente de produtos fabricados no Brasil. Outras companhias, como a Suzano (SUZB3), CBA (CBAV3), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5), também se encontram em uma posição desfavorável devido à dependência das vendas para o mercado americano.

Contrapondo-se a isso, algumas empresas podem encontrar oportunidades nesse cenário. A Gerdau (GGBR4), com 11 usinas nos EUA e no Canadá e mais de 30% de sua receita vinda da América do Norte, pode se beneficiar da situação, elevando sua competitividade em relação a concorrentes que dependem fortemente das exportações. A análise de especialistas sugere que a tarifação poderá gerar um aumento significativo nas margens da Gerdau na América do Norte.

Outras empresas, como a WEG (WEGE3) e a Iochpe-Maxion (MYPK3), que já possuem fábricas nos EUA e no México, também devem sair favorecidas, visto que sua exposição direta às tarifas é minimizada. Escrutando a situação de forma mais ampla, Petrobras (PETR4), Suzano e Vale (VALE3) enfrentam um impacto limitado, um reflexo de uma menor exposição ao mercado americano ou a capacidade de redirecionar exportações para outros países.

De acordo com o BTG Pactual, a magnitude dos efeitos econômicos provocados pelas tarifas deve ser moderada, embora algumas empresas, como Klabin (KLBN11) e CBA, possam experimentar repercussões negativas. As indústrias de petróleo e muitas empresas do agronegócio devem enfrentar um impacto reduzido, dado que seus produtos têm uma representatividade menor nas importações dos EUA.

A XP Investimentos também aponta que, apesar da importância das exportações brasileiras para os EUA, pode haver alternativas para desvio desses volumes para outros destinos. No entanto, produtos como derivados de petróleo, gás natural e químicos, que são importados dos EUA, podem ser afetados por possíveis retaliações.

Empresas como Braskem (BRKM5) podem encontrar oportunidades de mercado e preços ascendentes nas resinas plásticas no Brasil. Outras que podem enfrentar impactos são Mahle Metal Leve (LEVE3), Frasle (FRAS3), Randon (RAPT4), Azzas (AZZA3) e Alpargatas (ALPA4).

O Itaú BBA conclui que empresas como Iochpe, Marcopolo (POMO4) e Rumo (RAIL3) deverão apresentar resultados neutros, dado que sua exposição à nova tarifa é mínima. A Iochpe, por exemplo, tem grande parte de suas vendas para a América do Norte abastecidas por fábricas localizadas nos EUA e México. Já no caso da Marcopolo, estima-se que as exportações do Brasil para os Estados Unidos não sejam significativas. Para a Rumo, os impactos previstos são também neutros, uma vez que a maioria das exportações de grãos do Brasil é direcionada a mercados distintos, com a China se destacando entre eles.

Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/quais-acoes-da-b3-ganham-e-perdem-com-novas-tarifas-de-trump-114081/