Incertezas Fiscais e Ruídos em Brasília Pressionam o Ibovespa por Quarta Vez Consecutiva

A semana começou de forma preocupante para o mercado brasileiro. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, registrou uma queda de 0,30% nesta segunda-feira, encerrando o dia em 135.699,38 pontos e marcando sua quarta baixa consecutiva. Durante a sessão, o índice chegou a recuar mais de 1%, refletindo um cenário de aversão ao risco em decorrência de incertezas fiscais internas e dúvidas em relação às novas propostas do governo.

Desde meados de maio, o índice acumula uma perda superior a 4 mil pontos, evidenciando um aumento do ceticismo entre os investidores quanto à estabilidade das contas públicas do Brasil. O foco continua a ser o pacote de medidas apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após uma reunião com líderes do Congresso. Haddad delineou estratégias para aumentar a arrecadação e manter o equilíbrio fiscal, incluindo uma Medida Provisória que visa taxar aplicações atualmente isentas, como LCIs, LCAs e debêntures incentivadas. Essas medidas também preveem revisões nos impostos sobre operações de câmbio, assim como ajustes em gastos tributários e despesas primárias.

Entretanto, a recepção no Congresso foi morna. Líderes como Hugo Motta e Davi Alcolumbre expressaram descrença em relação à aprovação do pacote, apesar de Haddad afirmar que houve um "alinhamento importante" com o Legislativo. Motta sugeriu que o Brasil poderia necessitar de uma espécie de "shutdown" para forçar uma discussão mais realista sobre os gastos públicos. No âmbito do setor produtivo, a reação foi incisiva, com críticas severas à proposta de taxação sobre LCAs por parte de Pedro Lupion, da Frente Parlamentar da Agropecuária, que classificou essa movimentação como um erro grave que não será aceito pelo setor.

No mercado financeiro, prevaleceu um sentimento de frustração. A consultoria XP projetou que as novas medidas poderiam gerar uma arrecadação adicional de até R$ 18 bilhões, mas o problema de não conseguir cortar gastos persiste, conforme também destacado pelo economista Caio Megale. Avaliações indicam que o modelo de expansão das despesas com base em novas receitas está chegando ao seu limite, e a recuperação da credibilidade fiscal requer medidas mais rigorosas para contenção de gastos.

Enquanto isso, apesar das dificuldades locais, a cena internacional ajudou a moderar as perdas no Ibovespa. O retorno às negociações entre Estados Unidos e China sobre política comercial foi bem recebido pelos investidores globais, trazendo um respiro ao mercado. O dólar comercial recuou 0,14%, fechando a R$ 5,562, enquanto os juros futuros mostraram queda ao longo da curva, com expectativas de um IPCA mais controlado, a ser divulgado em breve.

No que diz respeito às ações, o dia apresentou um desempenho variado. A Vale (VALE3) teve uma manhã difícil, influenciada pela queda do minério de ferro na China, mas conseguiu reverter a tendência e terminou com alta de 0,59%. Em contrapartida, a Petrobras (PETR4) caiu 1,55%, impactada por cortes de recomendação, mesmo com o aumento do preço do petróleo no mercado externo. A Gerdau (GGBR4) destacou-se positivamente, subindo 6,41% após receber um upgrade de recomendação. A concorrente Metalúrgica Gerdau (GOAU4) também obteve um bom desempenho, avançando 5,21%.

Outras empresas também mereceram atenção: Raízen (RAIZ4) caiu 2,02% após uma revisão negativa de recomendação; no setor de educação, Yduqs (YDUQ3) subiu 1,23% e Ânima (ANIM3) avançou 4,30%, com apostas de que ambas se beneficiariam da nova regulação do ensino a distância. Embraer (EMBR3) também teve uma jornada de alta, com crescimento de 4,63%. A Gol (GOLL4), fora do Ibovespa, viu suas ações dispararem 11,82% após a conclusão do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, enquanto a Azul (AZUL4) também fechou em alta de 2,08%.

Apesar do fechamento mais suave, o mercado continua em um estado de expectativa em relação a novos sinais oriundos de Brasília. Os investidores estão atentos ao IPCA de maio e ao andamento do pacote fiscal, além das iniciativas do governo para controlar a dívida. A falta de progressos concretos mantém o risco fiscal em um patamar elevado, influenciando a dinâmica do mercado.

Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/ruidos-em-brasilia-e-tensoes-fiscais-derrubam-o-ibovespa-pela-4-vez-consecutiva-113440/