IRB Brasil RE Lança a Primeira Letra de Risco de Seguro do País

O mercado financeiro brasileiro acaba de receber uma nova alternativa de investimento: a Letra de Risco de Seguro (LRS). Esta novidade foi introduzida pelo IRB Brasil RE (IRBR3), que concluiu a primeira emissão desse tipo no Brasil, resultando em um volume de R$ 33,7 milhões. Essa operação promete estreitar ainda mais a relação entre os setores de seguros e de capitais.

A transação foi realizada pela Andrina SSPE, uma subsidiária 100% do IRB, e contou com a colaboração do Itaú BBA. Marcos Falcão, CEO do IRB, descreveu este acontecimento como um "marco histórico para a transferência de riscos no Brasil". Ele ressaltou que, através da emissão das letras de seguro, os riscos do setor segurador podem ser absorvidos pelo mercado financeiro.

Mas, o que exatamente é a Letra de Risco de Seguro (LRS)? Apesar de sua nomenclatura técnica, seu funcionamento é bastante direto. A LRS é um tipo de título que permite que os riscos, incluindo os de eventos catastróficos, sejam transferidos das seguradoras para o mercado de investimentos. Em vez de acumular todos os riscos em seus balanços financeiros, as seguradoras podem, através desse título, captar recursos de investidores que buscam diversificar seus portfólios com ativos que não estejam correlacionados a variáveis econômicas convencionais, como taxa de juros ou câmbio.

O processo de emissão envolve uma sociedade de propósito específico (SSPE), que assume parte dos riscos associados aos seguros e emite as LRS para captar os recursos. Os investidores que adquirirem essas letras terão um rendimento atrelado ao CDI, acrescido de 2,5%, com pagamento total na data de vencimento. No caso de sinistros, os pagamentos podem ser impactados, similar aos chamados cat-bonds em mercados mais desenvolvidos. Nesta primeira operação, os riscos securitizados estão ligados a seguros garantia de 14 grandes empresas que utilizam os serviços do IRB.

A Letra de Risco de Seguro é considerada uma inovação no mercado, sendo vista como uma versão brasileira dos cat-bonds. Ela oferece vantagens tanto para as seguradoras quanto para os investidores. As seguradoras podem liberar capital regulatório, permitindo a emissão de novas apólices e a otimização de seus balanços, enquanto investidores têm acesso a um título de renda fixa com alta rentabilidade que não se relaciona diretamente com as variáveis macroeconômicas comuns.

Fausto Morais, superintendente de produtos estruturados do Itaú BBA, mencionou a strong demanda reprimida por ativos desse tipo: "Ativos descorrelacionados com juros ou câmbio são extremamente procurados por fundos de investimento, especialmente em períodos de volatilidade". A emissão da LRS do IRB não apenas introduz um novo produto no mercado brasileiro, mas também propõe uma nova dinâmica, incentivando o desenvolvimento de alternativas mais sofisticadas e ampliando as opções disponíveis para investidores institucionais.

Embora a emissão inicial de R$ 33,7 milhões tenha sido relativamente modesta, o principal objetivo era avaliar o interesse dos investidores e preparar o terreno para futuras emissões, que podem ser em volumes maiores. Cesar Cavalcante, presidente da Andrina SSPE, comentou que a decisão de começar com um produto vinculado ao seguro garantia era estratégica, dado o crescente interesse por essa proteção no Brasil: "A LRS é amplamente utilizada no exterior, e temos uma grande oportunidade de fortalecer nosso mercado de seguros e alinhar o Brasil às práticas internacionais".

Esse novo instrumento surge em um momento significativo, já que o mercado de seguros brasileiro está em expansão e investidores buscam produtos de renda fixa que ofereçam proteção contra a volatilidade tradicional.

No aspecto regulatório, é importante destacar que a legislação que permite a emissão de títulos de dívida por seguradoras foi sancionada em 2022. Desde então, o mercado aguardava a implementação de operações desse caráter, que finalmente se concretizou com a emissão do IRB, abrindo caminho para que outras seguradoras e resseguradoras adotem esse modelo. A B3, responsável pela negociação desses ativos, enfatizou a relevância desta operação, afirmando que a emissão de LRS representa uma nova oportunidade de captação de recursos para seguradoras e uma opção adicional para a diversificação de portfólios dos investidores.

Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/irb-irbr3-estreia-no-mercado-e-lanca-1-letra-de-risco-de-seguro-do-brasil-113276/