A JBS (JBSS3), uma das líderes mundiais no setor de alimentos, está prestes a adotar uma estratégia controversa que poderá impactar seu futuro financeiro. A empresa planeja listar suas ações na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e ao mesmo tempo manter títulos no Brasil através dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts).
Esse movimento será discutido em assembleia na próxima sexta-feira (23), e tem como objetivo aumentar o acesso da empresa a capital internacional. No entanto, a proposta também tem suscitado debates acalorados entre analistas e consultorias, que questionam os potenciais riscos envolvidos.
A dupla listagem deve permitir à JBS captar recursos em um dos maiores mercados financeiros globais, o que poderia impulsionar sua visibilidade internacional e aprimorar a liquidez de suas ações. Contudo, as mudanças na estrutura de governança geraram preocupações, especialmente sobre a proposta de ações de classe dupla, que conferem poderes de voto assimétricos, favorecendo os acionistas majoritários, notadamente a holding J&F Investimentos e a família Batista.
Essa nova configuração permitirá à JBS emitir ações Classe A na NYSE, que terão um voto por ação, e BDRs Classe B no Brasil, oferecendo 10 votos por ação. Isso pode aumentar o domínio dos acionistas controladores de 48% para até 85%, sem necessidade de uma correspondente ampliação na participação econômica.
Consultorias como a ISS e a Glass Lewis têm se manifestado contra essa iniciativa, alertando sobre as fraquezas na governança e a possível diminuição do poder de voto dos acionistas minoritários. Em resposta, a JBS enviou uma comunicação aos acionistas defendendo que a dupla listagem é vital e traria mais valor aos seus papéis, facilitando a atração de investimentos futuros, ampliando sua competitividade e reduzindo custos financeiros a longo prazo.
Um fator que pode contribuir para a aceitação desta proposta foi a decisão da BNDESPar, um dos principais investidores, de se abster da votação. O BNDES era um dos poucos acionistas com um considerável poder de veto e, como parte do acordo, a J&F comprometeu-se a pagar R$ 500 milhões ao BNDES caso a listagem ocorra mas não atinja um valor predeterminado.
O mercado reagiu de maneira otimista após o anúncio do plano, com as ações JBSS3 apresentando uma valorização superior a 28% desde março. Apesar de uma leve correção após as análises de consultorias, especialistas continuam a ver um bom potencial de valorização a médio prazo.
Para os investidores, o relatório do JPMorgan indica que essa listagem pode facilitar a reclassificação das ações da JBS, atualmente avaliadas abaixo de seus concorrentes globais. O banco mantém uma recomendação de compra com um preço-alvo de R$ 52 e um fluxo de caixa livre projetado de R$ 9,8 bilhões para 2025, resultando em um retorno estimado de 11,2%. Por outro lado, o Santander projeta um crescimento de 61,8% até o fim de 2025, com um preço-alvo de R$ 53. A XP Investimentos propõe expectativas similares, enquanto a Genial adota uma posição mais cautelosa, prevendo um aumento de 29,7%, com preço-alvo de R$ 42,50.
Entretanto, o cronograma da listagem ainda é incerto, uma vez que sua realização depende da aprovação da SEC, o regulador americano, o que pode atrasar todo o processo. Para mitigar os riscos da incerteza, o JPMorgan aconselha os investidores a realizarem operações com opções, como a compra de puts com vencimento no final de maio, que protegem dos impactos negativos em caso de rejeição da proposta. O banco adverte que, se os acionistas não aprovarem a nova estrutura, as ações da JBS podem perder uma parte considerável dos ganhos recentes.
Pontos de atenção para os investidores nos próximos dias incluem:
– Resultado da assembleia programada para 23 de maio;
– Aprovação da proposta pela SEC;
– Reações dos acionistas minoritários após as deliberações;
– Variações nas ações JBSS3 em resposta às expectativas do mercado e aos fluxos de capital externo.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/jbs-jbss3-listagem-nos-eua-acende-alerta-no-mercado-veja-o-que-muda-112985/