Moody’s Ajusta Perspectivas de Grandes Empresas e Bancos Brasileiros

Recentemente, a agência de classificação de risco Moody's implementou mudanças nas notas de crédito de várias empresas e instituições financeiras brasileiras. Essa ação é uma consequência da revisão da perspectiva de rating soberano do Brasil, que, na última sexta-feira (30), foi alterada de positiva para estável.

Com essa revisão, gigantes como Petrobras, Vale e Ambev, além de 27 bancos, tiveram suas previsões ajustadas para um outlook estável. Entre os bancos impactados, destaque para Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e BTG Pactual. Também estão incluídos na lista a B3 e a XP.

A redução da perspectiva da nota de crédito do Brasil foi motivada pelo aumento dos riscos fiscais, conforme observado pela Moody's. A agência destacou que a qualidade de crédito das empresas mencionadas não pode ser dissociada da situação financeira do governo brasileiro, e, portanto, suas notas devem refletir adequadamente os riscos associados ao soberano.

Em geral, a Moody's indicou que tal revisão também considera as tendências macroeconômicas e do ambiente financeiro que influenciam todos os emissores dentro do território nacional. Vale ressaltar que os bancos possuem fortes interligações de crédito com o governo, o que justifica o rebaixamento da perspectiva. No entanto, mesmo com essa alteração, as notas de crédito das companhias permaneceram inalteradas.

Atualmente, bancos como Banco do Brasil, Itaú e Bradesco possuem um rating de Ba1, o mesmo que o Brasil, enquanto a Petrobras mantém essa nota, reforçada por suas sólidas métricas financeiras e histórico de aprimoramentos operacionais. Por outro lado, Vale e Ambev apresentam classificações Baa2, superiores à do Brasil, assim como Santander e B3, que têm nota Baa3.

Especificamente, a Vale se destaca por seu robusto perfil de negócios e sua posição de liderança na produção global de minério de ferro e níquel, fatores que garantem um fluxo de caixa resiliente em relação às condições econômicas internas. A Ambev é avaliada positivamente por ser uma das maiores cervejarias do mundo, possuindo forte capacidade de gestão e controle de custos, que contribuem para mitigar a volatilidade em períodos de crise.

Em relação ao Santander, sua avaliação é sustentada por sua conexão com a matriz espanhola, enquanto a B3 se destaca pelo seu desempenho financeiro consistente e seu papel essencial como uma infraestrutura no mercado financeiro brasileiro.

No caso da Petrobras, a Moody's considera que há uma baixa probabilidade de inadimplência da empresa devido a possíveis dificuldades financeiras que o governo possa enfrentar. A expectativa é que a disciplina operacional e financeira da Petrobras continue garantindo a geração de caixa, essencial para manter sua estrutura de capital. Contudo, a avaliação da agência é limitada por fatores como a sensibilidade da instituição a alterações em políticas monetárias e a influência governamental nas suas operações.

Abaixo a lista das instituições financeiras que tiveram suas perspectivas reavaliadas pela Moody's:
– Banco do Brasil
– BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
– BNDESPar (BNDES Participações)
– Itaú Unibanco
– Bradesco
– Banco da Amazônia
– Banco do Nordeste
– Caixa Econômica Federal
– Banco Santander
– BTG Pactual
– Sicredi
– Banco Safra
– Banco ABC Brasil
– Daycoval
– Citibank
– B3
– XP
– Banco Modal

O impacto da revisão atinge um total de 27 instituições, pois filiais offshore, como as situadas nas Ilhas Cayman, também estão incluídas, abrangendo unidades do Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, entre outros.

Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/moody-s-corta-perspectivas-de-petrobras-vale-ambev-e-27-bancos-brasileiros-113308/