Reavaliação das Projeções de Dividendos do Banco do Brasil (BBAS3): Cautela no Mercado

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) enfrentam um ano turbulento, com uma queda acumulada de 26% até agora, levantando questões sobre a adequação dessa desvalorização. A euforia em torno dos dividendos da instituição, que permeava o início de 2025, está dando lugar a um cenário de mais prudência após um primeiro trimestre que ficou abaixo do esperado.

Logo no começo de 2025, o Banco do Brasil havia divulgado uma previsão de payout, indicador que representa a fração do lucro destinada à distribuição de dividendos, de 40% a 45%. Embora essa meta fosse mais flexível do que a do ano anterior, que previa uma distribuição de 45%, ainda demonstrava uma intenção clara de retorno aos seus acionistas. Contudo, o lucro líquido do primeiro trimestre foi de R$ 7 bilhões, bastante inferior à expectativa de R$ 9 bilhões, o que gerou apreensões no mercado.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) também sofreu um impacto, caindo para 16,7%, enquanto a inadimplência, sobretudo no setor de crédito rural, aumentou significativamente. Esses fatores levaram analistas de importantes instituições financeiras a reavaliar suas projeções para o Banco do Brasil.

O JPMorgan, por exemplo, foi um dos primeiros a emitir um alerta, mencionando em seu relatório que o payout atual poderia se tornar insustentável devido à pressão sobre os recursos do banco e à necessidade de sustentar a expansão de sua carteira de crédito. Assim, a estimativa de dividendos foi reduzida para 30%, em contraste com a faixa oficial previamente estabelecida. O Itaú BBA seguiu por um caminho similar, reduzindo sua expectativa de dividend yield para 6%, abaixo dos níveis históricos do banco, e também projetou um payout de 30%, assim como o JPMorgan.

O próprio Banco do Brasil considera a possibilidade de rever suas previsões, de acordo com a análise do Goldman Sachs, que se consultou com a equipe de gestão da empresa. A distribuidora de dividendos quer garantir que essa prática não prejudique o crescimento de sua carteira de crédito, fazendo com que a continuidade do payout dependa da performance operacional futura.

Apesar do cenário incerto, alguns analistas, como aqueles do banco Safra, ainda mantêm uma perspectiva otimista. O Safra recomenda a compra das ações do Banco do Brasil, ressaltando que sua estrutura de financiamento é robusta e que o ROE deve superar 20% em 2025, além de avaliar que os dividendos continuam atraentes, com uma estimativa de dividend yield de 11,3%, que permanece acima da média do setor.

A recente queda dos papéis da instituição levantou novas perguntas: seria uma reação exagerada do mercado ou uma correção válida? Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos, acredita que a resposta está na resiliência histórica do Banco do Brasil em tempos difíceis. Ele argumenta que a precificação atual pode refletir mais um temor de curto prazo do que uma deterioração real nos fundamentos do banco.

Enquanto isso, o JPMorgan se mantém cauteloso, prevendo um possível crescimento de 28% nas ações, com um novo preço-alvo fixado em R$ 28, embora mantenha uma recomendação neutra devido ao tempo que será necessário para resolver as questões ligadas ao crédito rural.

Diante de tantos estímulos e incertezas, a sustentabilidade dos dividendos do Banco do Brasil está em análise. O desempenho do segundo trimestre e as futuras decisões sobre a carteira de crédito serão vitais para determinar se a ação continuará sendo um atrativo para investidores em busca de renda passiva ou se a situação exige mais precauções.

Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/dividendos-do-banco-do-brasil-bbas3-sobem-no-telhado-mercado-reve-projecoes-113694/