O Banco do Brasil (BBAS3), que anteriormente era valorizado pelos investidores devido ao seu valuation atrativo e pagamentos regulares de dividendos, enfrenta agora um panorama repleto de dificuldades. Em um movimento notável, o Santander (SANB11) rebaixou a recomendação para as ações do banco de 'compra' para 'manutenção' nesta segunda-feira (3), reduzindo o preço-alvo de R$ 45 para R$ 26, o que representa um corte de R$ 19, ou mais de 40%. Com essa nova avaliação, o Santander antecipou um potencial de alta de somente 11% em relação ao valor de fechamento mais recente de R$ 23,28, já refletindo uma queda acumulada de 1,69% no ano.
O rebaixamento foi justificado pelo desempenho insatisfatório do Banco do Brasil no primeiro trimestre de 2025 (1T25). O banco reportou um lucro líquido de R$ 7,4 bilhões, bem abaixo da expectativa do mercado, que era de R$ 9 bilhões, gerando preocupações entre os analistas. Outro fator crítico mencionado foi a diminuição do retorno sobre patrimônio líquido (ROE), que caiu de 20% para 17%, intensificando a percepção de deterioração na rentabilidade da instituição.
Além dos resultados decepcionantes, o Santander apresentou três ajustes significativos em seu modelo de avaliação para o Banco do Brasil:
– Revisão para baixo nas projeções de lucro líquido para 2025 e 2026, com cortes de 20%;
– Aumento do custo de capital próprio em mais de 250 pontos-base;
– Redução do ROE na perpetuidade para 16%, indicando expectativas de rentabilidade estruturalmente menor.
Consequentemente, o Santander também retirou os papéis do Banco do Brasil de suas carteiras recomendadas, tanto na mensal quanto na de dividendos para junho. A instituição avisou que as ações devem enfrentar pressão no curto e médio prazo, especialmente devido a revisões pessimistas nas estimativas de lucro e dividendos.
A XP Investimentos, por sua vez, se uniu ao movimento de reavaliação, rebaixando a recomendação de BBAS3 de 'compra' para 'neutro', com um novo preço-alvo de R$ 32, o que também indica uma queda considerável em suas estimativas de lucro líquido: 29% para 2025, reduzindo para R$ 28 bilhões, e 28% para 2026, caindo para R$ 30 bilhões. O ajuste na XP foi motivado por uma combinação de uma queda de 12% na margem financeira líquida (NII) e um aumento de 9% no custo de crédito.
Ainda que as novas projeções de consenso para o lucro líquido permaneçam em torno de R$ 35 bilhões, a XP destaca que essas expectativas precisam ser reconsideradas, uma vez que o Banco do Brasil sinalizou um ajuste nas diretrizes para 2025, aumentando a incerteza para o ano.
O Banco do Brasil está diante de um cenário desafiador, com indicadores financeiros em declínio e um crescimento acelerado na carteira de crédito do agronegócio, que mais do que dobrou desde 2018, alcançando R$ 365 bilhões. Esse rápido crescimento também trouxe um aumento preocupante na inadimplência acima de 90 dias, que saltou para 3% no primeiro trimestre, após períodos de níveis historicamente baixos.
Com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando, o papel do Banco do Brasil como um 'termômetro político' continua a adicionar volatilidade às suas ações. A XP reconhece que, apesar do valuation atual e da proximidade do ciclo eleitoral, as circunstâncias operacionais do banco permanecem desafiadoras, limitando assim uma visão positiva neste momento.
Fonte:https://investidor10.com.br/noticias/bb-bbas3-despenca-nas-recomendacoes-e-santander-corta-preco-alvo-em-40-113303/